Reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, o Coletivo Mulheres Negras da Periferia – Casa das Pretas celebra sete anos de atuação no bairro Coroadinho, em São Luís. A programação comemorativa será realizada hoje, 17 de setembro, das 15h às 17h30, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), reunindo integrantes, parceiros, participantes dos projetos e a comunidade.
Durante o evento, o coletivo lançará seu site institucional, desenvolvido para preservar a memória da organização, reunir dados dos projetos e ampliar o diálogo com pesquisadores, apoiadores e a sociedade.
Fundada em 2019 a partir da mobilização de mulheres negras locais, a instituição atua em frentes estratégicas: cultura, educação, geração de renda, soberania alimentar, justiça climática e garantia de direitos.
Cultura, leitura e ancestralidade
A cultura está entre as principais frentes de atuação da Casa das Pretas. O Quintal Cultural já realizou mais de 30 eventos, enquanto a Pretoteca Anastácia reúne mais de 300 obras voltadas ao antirracismo e aos direitos humanos. O espaço também promove oficinas, mediações de leitura e contação de histórias em parceria com escolas e organizações locais.
A valorização da cultura popular e da ancestralidade está presente ainda no Tambor de Crioula Mirim Filhas de São Benedito, que atualmente reúne 35 crianças e adolescentes, entre 5 e 15 anos. O Tambor de Crioula Filhas de São Benedito já realizou mais de 20 apresentações em diferentes espaços.
A Casa mantém também parceria com o projeto Capoeira Arte e Vida, que já atendeu mais de 50 crianças, adolescentes e jovens. Para Letícia Vieira, presidente da Casa das Pretas, o reconhecimento como Ponto de Cultura reforça a trajetória construída pela organização.
Depoimentos
“Ser Ponto de Cultura reafirma a importância do trabalho que construímos nesses sete anos. A cultura está no centro da Casa das Pretas e também é uma forma de fortalecer identidades, criar oportunidades e aproximar as novas gerações da nossa história.”
— Letícia Vieira, presidente da Casa das Pretas.
“A Casa das Pretas nasceu do desejo de criar um espaço onde mulheres negras pudessem se reconhecer, se fortalecer e valorizar suas histórias e seus saberes. Sete anos depois, vemos que esse sonho cresceu e se tornou uma construção de muitas mãos.”
— Ju do Coroadinho, fundadora da organização.
“É muito significativo ver o impacto que conseguimos alcançar na comunidade e na vida de tantas mulheres. Ao longo desses anos, a Casa se consolidou como um espaço de resistência, formação e valorização das vivências das mulheres negras periféricas.”
— Meirivania Correia, cofundadora e diretora financeira.
“Ver meus filhos participando dos projetos da Casa das Pretas é motivo de muito orgulho. Eles aprendem sobre nossa cultura, nossa ancestralidade e nossa história, além de desenvolverem mais confiança e novas formas de convivência.”
— Jaqueline Sousa, moradora do Coroadinho e mãe de integrantes do Tambor de Crioula Mirim.
“É muito gratificante contribuir com a comunidade. Na Cozinha Solidária, a gente prepara os sopões e leva alimento para as famílias. Saber que o nosso trabalho chega a quem precisa faz toda a diferença.”
— Lucicleia de Jesus, voluntária da Cozinha Solidária há cinco anos.
Programação
A programação contará com:
- Bênção da Mãe de Terreiro Tumajamacê;
- Rodas de partilha com integrantes do Coletivo e representantes dos projetos;
- Exibição de vídeos sobre a história da Casa das Pretas;
- Apresentação das iniciativas atualmente desenvolvidas;
- Lançamento do site institucional; e
- Encerramento com o Tambor Mirim e Toque de Caixa do Divino.