A ex-deputada estadual Luana Ribeiro anunciou, nesta terça-feira (15), a retirada de sua candidatura à Assembleia Legislativa do Tocantins. A decisão foi comunicada a menos de três semanas das eleições e veio acompanhada de um duro desabafo sobre a falta de apoio político dentro do próprio grupo.
Filiada ao Podemos e registrada para disputar a eleição com o número 20221, Luana afirmou que não recebeu o suporte partidário nem o apoio das lideranças que escolheu apoiar. Segundo ela, esse abandono político teve peso direto na decisão de deixar a disputa.
“Lamento não ter recebido suporte partidário nem o apoio necessário político do meu partido e de algumas lideranças que escolhi apoiar. Foi uma das decisões mais difíceis e dolorosas da minha vida”, declarou.
Luana não revelou quais dirigentes ou lideranças deixaram de apoiá-la. A crítica, porém, expõe uma ruptura política e atinge diretamente o Podemos em plena reta final da campanha, quando os candidatos proporcionais intensificam a busca por estrutura, mobilização e votos.
Em consulta realizada nesta terça-feira (15) ao DivulgaCand, não consta nenhum repasse financeiro do Podemos à campanha de Luana Ribeiro, seja do Fundo Eleitoral ou do Fundo Partidário. A única participação da legenda registrada é uma doação estimável de R$ 752,17, referente à produção de programas eleitorais de rádio e televisão.
Quatro mandatos na Assembleia
Luana Ribeiro exerceu quatro mandatos consecutivos como deputada estadual, entre 2007 e 2023, e voltou temporariamente à Assembleia em 2024, na condição de suplente. Eleita pela primeira vez em 2006, renovou o mandato nas eleições de 2010, 2014 e 2018.
O momento mais marcante ocorreu em março de 2018, quando se tornou a primeira mulher da história do Tocantins a presidir a Assembleia Legislativa. Ela permaneceu no comando da Casa até o encerramento daquela legislatura, em janeiro de 2019.
Na nota em que anunciou a desistência, Luana lembrou esse marco e afirmou que deixa a disputa orgulhosa do trabalho realizado.
“Foi esse sentimento que guiou minha trajetória na Assembleia Legislativa e me levou a abrir caminhos, inclusive como a primeira mulher a presidir a Casa. Sigo orgulhosa do trabalho que fiz e, sobretudo, dos laços que construí com o povo tocantinense”, afirmou.
Além dos quatro mandatos parlamentares, Luana também disputou a Prefeitura de Palmas em 2012 e ocupou diferentes posições de liderança na Assembleia. Sua trajetória política foi construída principalmente em Palmas, Araguaína e municípios das regiões norte e do Bico do Papagaio.
Herdeira do legado de João Ribeiro
Luana é filha do ex-senador João Ribeiro, uma das lideranças mais influentes da história política do Tocantins. Ele iniciou a vida pública como vereador de Araguaína, em 1982, e foi eleito deputado estadual por Goiás em 1986, período em que participou do movimento pela criação do Tocantins.
Com a instalação do novo Estado, João Ribeiro assumiu a Prefeitura de Araguaína, administrando o município entre 1989 e 1992. Depois, foi eleito deputado federal em 1994 e reeleito em 1998.
Em 2002, chegou ao Senado pelo Tocantins. Foi reeleito em 2010 como o candidato mais votado para o cargo e permaneceu no mandato até sua morte, em dezembro de 2013.
A força de João Ribeiro foi construída especialmente pela proximidade com os municípios, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias. Sua atuação deixou uma extensa rede política, principalmente no norte do Estado, que se tornou uma das bases da trajetória eleitoral de Luana.
Ao anunciar a desistência, a ex-deputada citou o pai e a mãe, Belisa Ribeiro, como suas principais referências.
“Aprendi com Belisa e João Ribeiro a fazer política por amor às pessoas”, declarou.
“Nossa história segue”
Luana agradeceu aos apoiadores e à militância que participavam da campanha. Apesar da retirada da candidatura, afirmou que continuará presente na vida pública e defendendo as causas nas quais acredita.
“Uma candidatura pode chegar ao fim. O compromisso com o Tocantins, não. Continuarei presente, ouvindo as pessoas e defendendo as causas em que acredito”, disse.
A desistência encerra, neste momento, a tentativa de Luana retornar de forma efetiva à Assembleia Legislativa, Casa na qual permaneceu por quatro mandatos e entrou para a história ao romper uma barreira inédita para as mulheres.
“Saio desta disputa de cabeça erguida e com o coração cheio de gratidão. A todos que estiveram comigo: obrigada por tanto. Nossa história segue”, concluiu.
Fonte: AF Noticias