Tocantins pode enfrentar fenômeno climático mais intenso desde 1950; Saúde entra em alerta
O TCE alertou formalmente o secretário estadual da Saúde e recomendou medidas antecipadas
Por Administrador
Publicado em 28/08/2026 06:54
Politica

O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) emitiu um alerta formal à Secretaria Estadual da Saúde diante da possibilidade de um El Niño classificado como muito forte, com riscos de estiagem prolongada, redução da disponibilidade de água, aumento das temperaturas, incêndios florestais e maior procura pelos serviços de saúde.

A medida consta do Despacho nº 681/2026-RELT3, da 3ª Relatoria. O ato foi foi assinado nesta quarta-feira (26/08) pelo conselheiro José Wagner Praxedes. Neste caso, trata-se de um alerta preventivo emitido pelo Tribunal de Contas.

Probabilidade de 81%

Segundo o Parecer Técnico nº 237/2026-CAENG, citado na decisão, informações atribuídas ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam 81% de probabilidade de ocorrência de um episódio muito forte entre outubro e dezembro de 2026.

O documento afirma que o fenômeno tem potencial para figurar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950.

Para o Tocantins, a avaliação técnica projeta risco de estiagem prolongada, menor disponibilidade hídrica, temperaturas mais elevadas e intensificação de queimadas e incêndios florestais.

Agricultura, água e saúde sob pressão

O alerta vai além das queimadas. Segundo o TCE, o cenário pode comprometer sistemas públicos de abastecimento de água, elevar custos do saneamento, reduzir água disponível para irrigação e dessedentação animal e provocar perdas na produção agropecuária.

Na saúde, a preocupação envolve aumento de doenças respiratórias, exaustão térmica e outros problemas associados ao calor extremo.

Estoques de medicamentos e preparação das unidades

Diante do cenário, o TCE alertou formalmente o secretário estadual da Saúde, Carlos Felinto Junior, e recomendou medidas antecipadas.

Entre elas estão reforço dos estoques de medicamentos e insumos para doenças respiratórias e problemas relacionados ao calor, preparação de unidades básicas e serviços de urgência para possível aumento de casos de desidratação e insolação, monitoramento da qualidade da água e intensificação da vigilância sobre efeitos da fumaça e das ondas de calor.

O Tribunal recomendou ainda atenção especial às populações mais vulneráveis, campanhas de prevenção e articulação com a Defesa Civil e os municípios.

O próprio despacho deixa claro que o alerta não representa reconhecimento de irregularidade na atuação da Secretaria da Saúde. A medida tem caráter preventivo. O TCE registra, entretanto, que eventual omissão injustificada diante de riscos formalmente comunicados poderá ser considerada em futuras ações de controle.

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