Vídeos gravados após a prisão de Maria Clara, mulher trans suspeita de tentativa de homicídio em Bacabal, viralizaram nas redes sociais nos últimos dias. Nas gravações, ela afirma ter atacado um homem com golpes de facão após a mãe dela ter sido agredida e ameaçada por um casal.
As declarações também foram utilizadas pela Justiça como um dos fundamentos para converter a prisão em flagrante em preventiva.
Em uma das entrevistas, Maria Clara afirmou que não se arrepende do crime. “Não, eu não tô arrependido, não. Eu arrependi porque eu não matei. Se eu tivesse matado, ia ficar melhor”, disse.
Nas gravações, ela também declarou que pretende matar o casal caso deixe a prisão, alegando que eles teriam denunciado à polícia um ponto de venda de drogas que seria ligado a ela.
Justiça cita vídeos para manter prisão preventiva
Maria Clara foi presa na noite de sábado (25). Na segunda-feira (27), durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Na decisão, o juiz João Bruno Farias Madeira destacou que as declarações registradas em áudio e vídeo demonstram risco à integridade física das vítimas caso a suspeita fosse colocada em liberdade.
“A segregação (prisão) cautelar revela-se indispensável à garantia da ordem pública e ao resguardo da incolumidade (preservação) física da vítima, com vias a prevenir a prática de novas condutas violentas, mormente, em face das provas (áudios e vídeos) juntados aos autos, que atestam a existência de promessa de mal injusto e grave à vítima e sua companheira/esposa, pela custodiada, em caso de concessão de liberdade provisória”, destacou o magistrado na decisão.
Investigação aponta agressão após discussão
Segundo a decisão judicial, a confusão começou após Yasmin de Sousa Pereira atingir Antônia de Souza, mãe de Maria Clara, com um pedaço de madeira.
Em seguida, Maria Clara teria atacado Yasmin com um facão. O companheiro dela, José Ferreira da Silva Neto, tentou intervir e passou a ser o principal alvo dos golpes.
José Ferreira sofreu ferimentos no antebraço direito e na mão esquerda, com corte profundo, lesão em um tendão e perda de tecido. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Regional Laura Vasconcelos, onde passou por cirurgia de emergência. O estado de saúde dele não foi divulgado.
Drone da Polícia Militar registrou a ocorrência
O caso aconteceu em um imóvel conhecido como prédio da antiga Coca-Cola, no Centro de Bacabal.
De acordo com a Polícia Militar, um drone do 15º Batalhão sobrevoava a região por causa de um evento realizado nas proximidades quando registrou a briga. Após identificar a ocorrência, uma equipe foi deslocada ao local.
Os policiais encontraram Antônia de Souza com um ferimento na cabeça. Maria Clara foi presa em flagrante e o facão que teria sido utilizado no ataque foi apreendido.
Suspeita confessou o ataque durante entrevista
Em uma das gravações feitas na chegada à delegacia, Maria Clara confirmou o motivo da prisão ao ser questionada por um repórter.
“Tentativa de homicídio”, respondeu.
Na sequência, ela afirmou que atacou a vítima porque a companheira de José Ferreira teria agredido sua mãe e voltou a ameaçar o casal.
"Minha mãe não vende, quem vende sou eu. Ela (Yasmin) tentou derrubar minha casa, mas não conseguiu, porque eu joguei a droga fora... Eu vou matar ele e ela (José e Yasmin), vou matar os dois. 'Cagueta' tem que morrer", declarou.
Prisão preventiva foi mantida
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A defesa solicitou o relaxamento da prisão ou, alternativamente, a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares.
Ao decretar a prisão preventiva, o juiz levou em consideração a gravidade das lesões sofridas pela vítima, a necessidade de cirurgia, as ameaças registradas nos vídeos e o risco de novos crimes.
Segundo a decisão, Maria Clara possui duas condenações anteriores e responde a outra ação penal em andamento. Ela permanece presa preventivamente, enquanto a Polícia Civil continua investigando o caso.