Um contador de 32 anos passou a ocupar posição central nas investigações de um suposto esquema milionário de fraude tributária e lavagem de dinheiro no Tocantins. Segundo a Polícia Civil, ele teria assumido a administração do escritório de contabilidade utilizado pelo grupo após a fuga do homem apontado como líder da organização.
A residência do profissional, identificado pelas iniciais I.P.K., foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (23/06), no Plano Diretor Sul, em Palmas. A medida integra uma nova fase da Operação El Dourado, conduzida pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária, com apoio de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda.
De acordo com a investigação, o contador não estava entre os principais alvos nas etapas iniciais da operação. Ele teria ganhado maior relevância dentro da estrutura após Paulo César Maciel dos Santos, apontado pela polícia como líder do grupo, tornar-se foragido da Justiça.
A partir daí, conforme a DRCOT, o investigado teria assumido a administração do escritório de contabilidade usado nas operações e passado a exercer papel estratégico na movimentação de recursos financeiros.
Contas bancárias e reconhecimento facial de “laranjas”
A Polícia Civil afirma ter identificado uma forma incomum de movimentação do dinheiro. Segundo as apurações, o contador controlava contas bancárias pelo próprio aparelho celular e se deslocava até pessoas apontadas como “laranjas” para utilizar o reconhecimento facial delas.
O procedimento seria necessário para liberar transferências e pagamentos de valores elevados, mantendo as operações bancárias formalmente vinculadas aos titulares das contas.
A participação específica do contador, assim como a origem e o destino dos recursos movimentados, ainda será aprofundada por meio da análise dos materiais apreendidos.
Empresas de fachada e créditos fictícios de ICMS
A Operação El Dourado apura a suposta atuação de um grupo especializado em crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, empresas de fachada, também chamadas de “noteiras” ou “empresas de prateleira”, eram utilizadas para simular operações de compra e venda de grãos.
Essas operações teriam gerado créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), posteriormente utilizados para reduzir indevidamente os tributos de outras empresas.
A Polícia Civil estima que apenas uma das empresas investigadas teria provocado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos. O valor é atribuído à apuração policial e ainda depende do avanço das investigações e da responsabilização judicial dos envolvidos.
Celulares, notebooks e carimbos apreendidos
Durante a busca na residência do contador, os policiais apreenderam notebooks, aparelhos celulares e carimbos que, segundo a polícia, pertencem ao principal investigado e a outro contador citado no suposto esquema.
Também foram encontradas duas porções de substância semelhante à maconha, que, conforme a informação oficial, estavam prontas para consumo.
Os equipamentos e documentos serão encaminhados à Diretoria de Inteligência Policial e à Polícia Científica. O material passará por perícia e análise para verificar se contém registros de movimentações financeiras, comunicações ou outros elementos relacionados às empresas investigadas.
O delegado Vinicius Mendes de Oliveira afirmou que as provas poderão contribuir para esclarecer a atuação dos envolvidos. “As provas apreendidas nesta fase contribuirão para aprofundar a responsabilização dos envolvidos e reforçam o compromisso da Polícia Civil com o combate aos crimes tributários e à lavagem de dinheiro”, declarou.
Apontado como líder continua foragido
Paulo César Maciel dos Santos, apontado pela Polícia Civil como principal investigado e líder do suposto grupo, permanece foragido.
Segundo a polícia, ele teve um pedido de liberdade negado pela Justiça de primeira instância. A decisão também foi mantida, por unanimidade, pelo Pleno do Tribunal de Justiça do Tocantins.
Um pedido liminar apresentado em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça também foi indeferido.
As investigações continuam para analisar o material apreendido, localizar os demais envolvidos e esclarecer a participação individual de cada investigado no suposto esquema.
Fonte: AF Noticias