O ex-governador Mauro Carlesse (PSD) anunciou nesta quinta-feira (12) a retirada de sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições de 2026. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele atribuiu a decisão ao avanço das articulações entre PSD e PT para a formação de uma chapa majoritária no Tocantins, afirmando que a nova composição reduziu seu espaço político dentro do grupo.
“Vocês têm visto esse movimento do PT e a junção com o PSD nessa candidatura para governo e para o Senado. Nessa junção, acabou que o espaço meu, do Carlesse, ficou limitado. Então, nessa composição, não tenho condições de continuar”, declarou.
A desistência ocorre em um momento em que o vice-governador e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), intensifica as conversas com lideranças petistas em busca de uma aliança para as eleições do próximo ano.
Decisão foi comunicada em nota
Em nota, Carlesse afirmou que a decisão foi tomada após um processo de reflexão sobre o cenário político e partidário.
“Após esse processo de reflexão conjunta e diante da nova configuração política e partidária que está se consolidando, decidimos não dar continuidade ao meu projeto de pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições de 2026”, afirmou.
O ex-governador também ressaltou que respeita as decisões tomadas pela legenda e pelas lideranças responsáveis pelas articulações eleitorais.
“Respeito integralmente as decisões partidárias e reconheço a legitimidade das estratégias definidas pela legenda e pelas lideranças que conduzem esse processo”, acrescentou.
Espaço aberto para novas composições
A saída de Carlesse altera diretamente o desenho da chapa que vinha sendo construída pelo PSD para a disputa de 2026.
Até então, a composição projetada previa Laurez Moreira na disputa pelo Palácio Araguaia, o senador Irajá (PSD) concorrendo à reeleição e Carlesse disputando a segunda vaga ao Senado.
Com a desistência, o grupo ganha margem para acomodar aliados e avançar nas negociações com o PT, que reivindica participação na chapa majoritária.
Nos bastidores, os nomes da ex-senadora Kátia Abreu (PT) e do ex-deputado federal Paulo Mourão (PT) aparecem entre as possibilidades para compor a aliança entre as duas legendas. As discussões envolvem a eventual indicação de Kátia Abreu para a vaga de vice-governadora e de Paulo Mourão para uma das candidaturas ao Senado. A articulação também busca fortalecer um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins.
Questões jurídicas também pesaram
Embora Carlesse tenha atribuído sua saída à nova composição política, fontes do PSD relataram que avaliações internas sobre a viabilidade jurídica de sua candidatura também contribuíram para o cenário.
Nos bastidores da legenda, havia preocupação com eventuais questionamentos à elegibilidade do ex-governador, fator que passou a ser considerado durante as negociações para a formação da chapa majoritária.
A avaliação era de que uma candidatura ao Senado exigiria elevado investimento político e financeiro sem garantia de que a situação jurídica estaria plenamente consolidada até o período eleitoral.
“Continuarei contribuindo com o Tocantins”
No vídeo publicado nas redes sociais, Carlesse agradeceu o apoio recebido durante a pré-campanha e afirmou que seguirá atuando em defesa do estado, embora fora da disputa eleitoral.
“Quero agradecer aos amigos, parceiros, colaboradores, aos meus eleitores e ao Estado do Tocantins. Nós já tínhamos andado praticamente o estado inteiro, com muitas lideranças e apoiadores, mas infelizmente, numa composição dessa, eu não posso acompanhar”, afirmou.
Ao encerrar a mensagem, disse que pretende retomar suas atividades empresariais.
“Estou retirando a minha pré-candidatura ao Senado e continuando a minha vida como empresário”, declarou.
Fonte: AF Noticias