Mãe de criança autista transforma sonho de infância em negócio e inspira mulheres em Araguaína
Olga Miranda encontrou uma forma de sustentar a família, cuidar da filha e inspirar outras mulheres
Por Administrador
Publicado em 12/06/2026 01:21
Politica

A necessidade de cuidar da filha autista e a lembrança de uma infância sem brinquedos levaram uma moradora de Araguaína a transformar um sonho adormecido em um negócio capaz de gerar renda, promover inclusão e inspirar outras mulheres. Hoje, à frente do ateliê Costurando Fofuras, Olga Miranda produz bonecas artesanais que carregam histórias de superação, afeto e representatividade.

A trajetória da empreendedora retrata a realidade enfrentada por muitas mães brasileiras, especialmente aquelas que vivem a maternidade atípica e precisam encontrar formas de conciliar o cuidado integral dos filhos com a necessidade de sustentar a família.

"A gente era da roça e eu não tive uma boneca quando criança; isso me marcou. Quando saí do meu serviço para cuidar da Ana Sofia, decidi usar esse sonho para transformar algo em minha vida, que eu pudesse gerar uma renda para mim e ao mesmo tempo cuidar dela da forma que ela precisava", conta.

Ana Sofia, filha caçula de Olga, é autista. Foi justamente a necessidade de estar mais presente em sua rotina que levou a mãe a buscar uma alternativa profissional que pudesse ser desenvolvida dentro de casa. O que começou como uma saída para enfrentar um momento desafiador acabou se transformando em um empreendimento com propósito social.

Bonecas que representam e acolhem

Mais do que peças artesanais, as bonecas confeccionadas no ateliê carregam uma missão: representar crianças com deficiência e fortalecer o sentimento de pertencimento de famílias que muitas vezes não se veem retratadas nos brinquedos tradicionais.

Cada criação busca valorizar a diversidade e ampliar a inclusão por meio do brincar, transformando o artesanato em uma ferramenta de conscientização e acolhimento.

A visibilidade do trabalho ganhou força após Olga ingressar no programa Empreender Mulher, desenvolvido pela Prefeitura de Araguaína por meio da Secretaria da Mulher. Segundo ela, a iniciativa abriu portas para parcerias, oportunidades de divulgação e conexões que antes pareciam distantes.

"Para nós que somos mães atípicas, é muito, muito cansativo. Então, as parcerias são muito importantes e ter uma parceria dessa, com um peso tão grande que pega ali na sua mão e diz assim: 'Você não está só, vamos junto', é imensurável", destaca.

Empreendedorismo que nasce da necessidade

A história de Olga está longe de ser um caso isolado. Ela representa a realidade de milhares de mulheres que ingressam no empreendedorismo não por oportunidade, mas por necessidade.

Foi justamente para atender esse público que nasceu o programa Empreender Mulher. A iniciativa busca enfrentar obstáculos como a vulnerabilidade social, a dificuldade de acesso à capacitação profissional, a falta de rede de apoio e os desafios enfrentados por mulheres que precisam gerar renda enquanto cuidam dos filhos.

Segundo a secretária municipal da Mulher, Suzana Salazar, muitas empreendedoras chegam ao programa após vivenciarem situações de fragilidade financeira ou familiar. "Muitas mulheres empreendem pela dor. Seja pela insuficiência da renda familiar ou pela impossibilidade de trabalhar fora, especialmente em casos de maternidade atípica. O principal é o apoio. Essas mulheres precisam estar mentalmente bem para que consigam se desenvolver", afirma.

Rede de apoio fortalece negócios e autoestima

Para mudar essa realidade, o programa oferece uma estrutura que combina capacitação, acolhimento e incentivo ao crescimento econômico.

As participantes têm acesso a palestras, mentorias, encontros de formação, rodadas de networking e feiras de empreendedorismo, criando oportunidades para divulgar seus produtos, ampliar a carteira de clientes e fortalecer suas marcas.

Outro diferencial é o suporte voltado à saúde mental. O programa disponibiliza acompanhamento psicológico, reconhecendo que o equilíbrio emocional é fundamental para que as mulheres consigam empreender de forma sustentável e superar os desafios do dia a dia.

As ações também incluem orientação para acesso ao crédito e acompanhamento financeiro, auxiliando as empreendedoras na organização dos negócios e no planejamento do crescimento.

 

 

Resultados refletem impacto na economia local

O modelo adotado pela Secretaria da Mulher já apresenta resultados expressivos. Mais de 500 mulheres foram impactadas diretamente pelas ações desenvolvidas pelo município. Somente em 2025, Araguaína registrou a abertura de 987 novos microempreendimentos individuais (MEIs) liderados por mulheres, um crescimento de 28,3%.

Com isso, a cidade alcançou a marca de 4.477 empresárias de pequeno porte formalizadas, consolidando um cenário de expansão do empreendedorismo feminino.

Os números demonstram que investir em qualificação, acolhimento e fortalecimento das redes de apoio não apenas transforma histórias individuais, mas também gera reflexos positivos na economia e no desenvolvimento social do município.

Para Olga Miranda, no entanto, o maior resultado não pode ser medido por estatísticas. Está na possibilidade de cuidar da filha, realizar um sonho que parecia impossível e, ao mesmo tempo, ajudar outras pessoas a se sentirem representadas.

Uma história costurada com afeto, superação e propósito.

Por AF Noticias

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