Brasília/DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira (31) a primeira reunião ministerial de 2026 e se despediu dos ministros que deixarão os cargos para disputar as eleições em outubro deste ano. No evento, Lula confirmou que Alckmin será candidato a vice-presidente da República outra vez.
Lula afirmou ainda que a política virou negócio e que é preciso convencer o povo de que é possível uma mudança no quadro político do país com a eleição de bons candidatos.
“Hoje, ainda tem muita gente séria, mas a verdade é que em muitos casos a política virou negócio”, destacou.
“Os cargos têm um preço muito alto. Outro dia alguém me dizia: ‘um deputado federal não será eleito por menos de 50 milhões de reais’. E se isso for verdade, nós chegamos ao fim de qualquer seriedade na política brasileira”, acrescentou o presidente.
Para Lula, todos são culpados nesse processo. Segundo ele, na perspectiva de não “criar caso para ninguém”, não se propõe as mudanças necessárias.
“E as coisas vão passando e vai piorando e nós chegamos hoje a uma situação de degradação, inclusive de algumas instituições.”
Candidaturas
De acordo com o presidente, dos 37 ministros do governo, pelo menos 18 deixarão o cargo para disputar cargo eletivo em outubro.
Entre eles, está o vice-presidente Geraldo Alckmin, que acumulava o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O presidente da República e seu vice não precisam renunciar ao mandato para concorrer ao próximo pleito. Caso a candidatura fosse para outro cargo, aí sim, a desincompatibilização seria necessária.
Políticos que tem a intenção de ser candidatos têm até 4 de abril para deixar cargos atuais, seis meses antes do 1º turno das eleições, que ocorre em 4 de outubro.
Durante a reunião, Lula destacou ainda que não nomeará novos ministros e que as pastas serão ocupadas por membros da equipe atual, como o então secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu o comando após a saída do ministro Fernando Haddad.
“Temos confiança na equipe que vocês montaram”, disse Lula. “Temos muita coisa para concluir até o dia 31 de dezembro, e a obrigação de quem vai ficar é concluir, é fazer com que a máquina fique funcionando sem nenhuma paralisia. Não dá para começar a fazer um novo ministério faltando nove meses para terminar o nosso mandato”, acrescentou.
Saiba quais ministros deixam os cargos
A poucos dias da data limite para a desincompatibilização de cargos executivos, ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixaram seus cargos nesta terça-feira (31). Eles vão concorrer a cargos eletivos nas eleições gerais de outubro deste ano.
De acordo com a legislação eleitoral, ocupantes de cargos como ministros de Estado, governadores e prefeitos, que pretendem se eleger para outros cargos, têm que se afastar da função no prazo máximo de até seis meses antes da data das eleições. Este prazo, portanto, vence no próximo dia 4 de abril. O 1º turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro.
A exigência da chamada desincompatibilização de cargos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serve para impedir que haja abuso de poder econômico ou político nas eleições por meio do uso de recursos da administração pública, assegurando a paridade entre os candidatos em disputa.
A regra também vale para magistrados, secretários estaduais, membros do Tribunal de Contas da União (TCU), dos Estados (TCEs) e do Distrito Federal (TCDF). A norma também se aplica a dirigentes de empresas, entidades e fundações públicas em geral.
A seguir, confira todas as mudanças já confirmadas ou previstas nos cargos de ministros do governo federal:
Ministério da Fazenda
Sai: Fernando Haddad (PT), que deve disputar o governo de São Paulo
Entra: Dario Durigan, então secretário-executivo da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU em 20 de março
Ministério do Planejamento e Orçamento
Sai: Simone Tebet (MDB), que deve disputar o Senado pelo estado de São Paulo
Entra: Bruno Moretti, então secretário de Análise Governamental da Casa Civil
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
Sai: Carlos Fávaro (PSD), que deve disputar o Senado pelo estado do Mato Grosso
Entra: André de Paula, até então ministro da Pesca e Aquicultura
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA)
Sai: Paulo Teixeira (PT), que deve disputar a reeleição para deputado federal por São Paulo
Entra: Fernanda Machiaveli, então secretária-executiva da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDH)
Sai: Macaé Evaristo (PT), que deve tentar a reeleição como deputada estadual por Minas Gerais
Entra: Janine Mello, então secretária-executiva da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério do Esporte
Sai: André Fufuca (PP), deputado federal eleito, ele deve tentar a disputa do Senado no Maranhão
Entra: Paulo Henrique Perna Cordeiro, atual secretário nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério da Pesca e Aquicultura
Sai: André de Paula, remanejado para o cargo de ministro da Agricultura
Entra: Rivetla Edipo Cruz, então secretário-executivo da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério dos Povos Indígenas
Sai: Sônia Guajajara (PSOL), que deve tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo
Entra: Eloy Terena, então secretário-executivo da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério dos Portos e Aeroportos
Sai: Sílvio Costa Filho (Republicanos), que deve disputar a reeleição de deputado federal por Pernambuco
Entra: Tomé Barros Monteiro da Franca, então secretário-executivo da pasta
Situação: mudança oficializada no DOU nesta terça-feira (31)
Ministério do Meio Ambiente
Sai: Marina Silva (Rede), que pode disputar uma vaga ao Senado por São Paulo
Entra: João Paulo Ribeiro Capobianco, atual secretário-executivo da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério dos Transportes
Sai: Renan Filho (MDB), que deve concorrer ao governo de Alagoas
Entra: George Santoro, atual secretário-executivo da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Casa Civil
Sai: Rui Costa (PT), que deve disputar o Senado pela Bahia
Entra: Miriam Belchior, atual secretária-executiva da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério da Educação (MEC)
Sai: Camilo Santana (PT), que pode disputar o governo do Ceará ou uma vaga ao Senado
Entra: Leonardo Barchini, atual secretário-executivo da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional
Sai: Waldez Góes (PDT), que pode disputar uma vaga ao Senado pelo Amapá
Entra: Valder Ribeiro de Moura, atual secretário-executivo da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério das Cidades
Sai: Jáder Filho (MDB), que disputar o Senado pelo estado do Pará
Entra: Antonio Vladimir Moura Lima, atual secretário-executivo da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério da Igualdade Racial
Sai: Anielle Franco (PT), que deve disputar um vaga de deputada federal pelo estado do Rio de Janeiro
Entra: Rachel Barros de Oliveira, atual secretária-executiva da pasta
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC)
Sai: Geraldo Alckmin (PSB), que disputará a reeleição de vice-presidente a chapa com Lula
Entra: indefinido
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Secretaria das Relações Institucionais da Presidência (SRI/PR)
Sai: Gleisi Hoffmann (PT), que deve disputar o Senado pelo estado do Paraná
Entra: indefinido
Situação: mudança ainda não oficializada no DOU
Repórter Brasil (TV Brasil)