Ex-prefeito é preso por matar servidor público que arrematou sua casa
Alcides Bernal foi ao 3º Distrito Policial e se entregar à polícia
Por Administrador
Publicado em 26/03/2026 00:05
Politica

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, se entregou à polícia, e confessou ter matado Roberto Mazzini, servidor público de 61 anos. Segundo Bernal, Mazzini havia arrematado sua residência em leilão e, mesmo aguardando a conclusão dos trâmites judiciais para tomar posse, teria invadido o imóvel.

 

A confissão ocorreu na tarde da terça-feira, 24 de março de 2026, no 3º Distrito Policial, onde o ex-prefeito apresentou-se acompanhado de seu advogado e alegou ter agido para defender seu patrimônio.

 

 

Conforme informações da Polícia Civil, o imóvel estava vazio quando Bernal foi acionado pelo sistema de segurança residencial. Municiado, o ex-prefeito deslocou-se até o local e encontrou Mazzini na varanda, na entrada da casa, momento em que efetuou dois disparos.

 

A vítima foi atingida no tórax e no ombro, foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Em depoimento, Bernal afirmou que se tratou de legítima defesa diante da invasão.

 

O imóvel em disputa fica em um terreno de 1.440 metros quadrados, com área construída de 678 metros quadrados, avaliado em R$ 3,7 milhões. Em 2025, a propriedade foi levada a leilão devido a dívidas tributárias e judiciais, com lance mínimo de R$ 2,4 milhões. Somente em débitos de IPTU, havia pendências que somavam R$ 344 mil.

 

A situação financeira de Bernal havia se agravado após decisões judiciais que determinaram bloqueios de contas e penhoras preventivas.

 

Ainda em 2025, a Justiça do Tocantins determinou que Bernal quitasse uma dívida de pensão alimentícia de mais de R$ 112 mil, relativa ao período de 2013 a 2016, incluindo dois 13ºs salários não pagos. A ação foi movida pelo próprio filho do ex-prefeito, que alegou dificuldade financeira para arcar com as despesas.

 

Na sentença, o juiz estabeleceu multa diária em caso de descumprimento e autorizou a penhora de bens, citando explicitamente outro imóvel localizado no Jardim Paulista.

 

O crime foi registrado em flagrante como homicídio qualificado, pois, segundo as autoridades, houve emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, caracterizando emboscada. A Polícia Civil mantém o inquérito aberto para ouvir testemunhas, analisar imagens do sistema de monitoramento e avaliar versões apresentadas por Bernal.

 

Até o momento, não há definição sobre a manutenção da prisão preventiva ou possibilidade de concessão de liberdade provisória ao ex-prefeito.

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