Operação mira núcleo financeiro de facção suspeita de lavar dinheiro do tráfico por meio da compra de itens de luxo no Tocantins Divulgação/Ficco-TO
Por Raphael Pontes (Jornal do Tocantins)
Uma operação policial mirou o braço financeiro de uma organização criminosa investigada por lavar dinheiro do tráfico de drogas no Tocantins por meio da compra de bens de luxo. A ação, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado cumpriu medidas judiciais contra suspeitos de participar do esquema. Foram 8 mandados de busca e apreensão cumpridos entre Goiânia (GO) e Imperatriz (MA).
De acordo com as investigações, o grupo utilizava recursos provenientes do tráfico para adquirir itens de luxo e ocultar a origem ilícita do dinheiro. A estrutura criminosa também realizava movimentações financeiras com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores obtidos de forma ilegal.
A operação contou com apoio da Polícia Civil do Tocantins, por meio da Delegacia-Geral e da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), além da participação da Polícia Civil de Goiás.

Investigação aponta que grupo ligado ao tráfico utilizava empresas e bens de alto valor para ocultar a origem de recursos ilícitos (Divulgação/Ficco-TO)
Segundo os investigadores, os envolvidos podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e fraude fiscal. Somadas, as penas previstas na legislação podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
A Ficco reúne forças de segurança federais e estaduais, com atuação integrada no enfrentamento ao crime organizado. A coordenação das ações ocorre sob responsabilidade da Polícia Federal, com participação das polícias Civil, Militar e Penal do Tocantins.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema e rastrear bens e valores vinculados à organização criminosa.

Resumo da operação
Goiânia (GO): Revenda de carros era usada para lavar dinheiro do tráfico
Na capital goiana, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão contra uma revenda de veículos suspeita de atuar como braço financeiro da organização criminosa. A empresa era utilizada para converter ativos financeiros vindos do tráfico aéreo de drogas em bens lícitos. Segundo as investigações, o estabelecimento operava em endereços inconsistentes para burlar a fiscalização e era gerido por pessoas ligadas ao esquema, incluindo um detento que já cumpre pena.
Imperatriz (MA): Movimentação de R$ 14,6 milhões em contas de fachada
No Maranhão, a operação desarticulou uma estrutura financeira operada por dois irmãos --- um empresário da construção civil e um servidor público. Juntos, eles movimentaram R$ 14,6 milhões em apenas 50 dias através de uma papelaria de fachada e de um banco clandestino (fintech sem autorização do Banco Central). A ofensiva na cidade também teve como alvo um policial militar, ex-sócio de uma construtora usada no branqueamento de capitais.

Ação das forças de segurança mira estrutura financeira de organização criminosa responsável por movimentar dinheiro do tráfico no Tocantins (Divulgação/Ficco-TO)