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Custodiados de Augustinópolis participam da maior olimpíada científica do País

Ao todo, 28 pessoas privadas de liberdade puderam testar e ampliar seus conhecimentos em matemática com a primeira etapa 16º Olimpíada Brasileira de Matemática, sendo alunos de 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental e 1ª e 2ª série do Ensino Médio, na modalidade EJA

Por Lauane dos Santos – Tocantins

Neste ano, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) ultrapassou os muros do Sistema Penal, dando acesso aos custodiados para realizarem a prova e assim promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento. Ao todo, 28 pessoas privadas de liberdade da Unidade Penal de Augustinópolis fizeram a primeira fase da prova na última quinta-feira, 9, aplicada por profissionais da Escola Estadual Fazenda Dezesseis, escola do Campo que é responsável pela oferta de ensino ao Sistema Penal no município.

Muitos dos custodiados fizeram a prova pela primeira vez, sendo que 24 deles estão cursando do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e quatro estão na 1ª e 2ª série do ensino médio, todos estudantes na modalidade Educação para Jovens e Adultos (EJA). O custodiado J.O.R., de 21 anos, foi um dos que tiveram a oportunidade de testar e ampliar seus conhecimentos na primeira etapa da prova da OBMEP.

“Me sinto privilegiado por poder fazer a avaliação porque sei que é uma prova que agrega e aguça os conhecimentos na área de matemática e suas tecnologias, e posso dizer que fica nítido que o caminho para o sucesso em todas as vertentes da vida, quer seja social, moral ou profissional, é a educação, esse pilar sustenta a sociedade como um todo e ajuda a quebrar paradigmas e alcançar lugares jamais pensados. Por isso sou muito grato a todos os envolvidos para a realização da Olimpíada”, disse o custodiado.

A OBMEP é a maior competição científica do país e a responsável por incentivar a aplicação da prova aos custodiados foi a professora de matemática da Escola, Tatiane Costa, que dá aula para as seis turmas na Unidade Penal. “Faço o possível para mostrar que a matemática não é ruim e que a educação é direito de todos, independente de quem seja e de onde esteja. Se eles são nossos alunos, nada mais justo que terem acesso a todo o conhecimento que os alunos de fora do Sistema Penal também têm. Incentivá-los a participar da Olimpíada, além de ser bom para levar esse conhecimento nacional à eles, também dá oportunidades de alçar novos voos, ter bolsa de estudos. Sabemos que o ensino no Sistema Penal é mais difícil, com menos acesso, então busquei levar essa oportunidade e pude ver o quanto eles se empenharam para participar”, explica.

A professora conta que a ideia de aplicar a prova aos custodiados surgiu após perceber o potencial dos alunos durante o período de ensino. “Fizemos uma prova de diagnóstico de português e matemática na Unidade, incluindo questões da própria Olimpíada, e eles se saíram muito bem, então pensei que deveriam participar da OBMEP. Tive o apoio irrestrito da Coordenação Regional da Olimpíada que frisou ser um direito de todo aluno matriculado na Rede, da direção da Escola e também da direção da Unidade que apoiou a aplicação”, explica, lembrando que a Unidade conta com custodiados bolsistas em universidades, participações no Enem e Encceja, sendo essa mais uma conquista para a educação em prisões em Augustinópolis.

O chefe da Unidade Penal de Augustinópolis, Antônio Marcos Feitosa, considera que a educação pode transformar vidas e, por isso, apoia todas as ações que levem conhecimento aos custodiados. “Eu também sou professor e, como chefe da Unidade há três anos, busco sempre valorizar as ações de educação que a Escola propõe, dou todo o meu apoio porque sem isso não tem como eles retornarem à sociedade e ter uma vida diferente. Fomentamos essas ações para que as pessoas privadas de liberdade, ao saírem do Sistema Penal, possam ter seus diplomas de ensino fundamental ou médio, certificados de cursos e profissionalização. Fizemos todo o possível para aplicação da OBMEP com a logística da chefia de segurança e agora estou otimista com o resultado porque todos as vezes que fazemos ações nesse sentido, eles sempre nos surpreendem”, afirmou.

O chefe de segurança da Unidade, Edivanio Pereira, acrescentou dizendo que a logística foi organizada com antecedência e transcorreu tudo como planejado. “Fizemos a aplicação da prova entre 8h30 e 12h30, antes disso fizemos a movimentação dos presos, os levamos divididos em três turmas, devido a necessidade de distanciamento social. Fizemos isso tudo com a devida garantia, com procedimentos de revistas e segurança da sala acompanhando a professora durante toda a prova, de modo que ficou tudo como planejado”, finalizou.

OBMEP

A OBMEP acontece em duas fases: a primeira é composta por uma prova múltipla-escolha de 20 questões e a segunda por uma prova discursiva de seis questões. Os exames são divididos por grau de escolaridade: Nível 1 (6º e 7º anos do Ensino Fundamental), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (Ensino Médio).

Conforme a diretora da Escola Estadual Fazenda Dezesseis Tatiane, Maria Padilha Targino, as etapas da Olimpíada servem para explorar o conhecimento matemático do aluno. “Ele vai passando por etapas de classificação, tivemos alunos na Unidade Penal que fizeram o nível 1 da prova, o 2 e o 3, a depender da série ou ano, mas o objetivo final é ampliar o conhecimento matemático, pois vimos que eles têm muito potencial a ser explorado. Nossa Escola tem como missão levar educação para todos, independentemente de localização, raça, cor, religião, primamos por garantir esse direito e a equidade, e é isso que temos feito com nossos 70 alunos na Unidade, formando-os no ensino fundamental e médio, apoiando cursos de profissionalização e tendo o apoio da Unidade Penal em ações educativas”, ressalta a diretora.

O resultado da primeira etapa está previsto para sair no início de agosto e os selecionados poderão fazer a segunda etapa da prova. Aos alunos participantes serão distribuídas 575 medalhas de ouro, 1.725 medalhas de prata e 5.175 medalhas de bronze, além de 51.900 menções honrosas. Todos os medalhistas serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), como incentivo e promoção do desenvolvimento acadêmico dos estudantes.

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