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Indígenas maranhenses recusam vacinação contra Covid-19

Os municípios maranhenses com grande concentração de indígenas estão com baixa cobertura de vacinação.

A vacinação entre os indígenas está se tornando uma preocupação entre as autoridades de saúde brasileira e no Maranhão não está sendo diferente de outras regiões do país. Estima-se que, no estado, cerca de 2,3% da população indígena do estado esteja se recusando a tomar a vacina..

A vacinação dos indígenas é de responsabilidade do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), órgão federal, mas diante do cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) está reforçando o trabalho já realizado pelas equipes da Força Estadual de Saúde que atuam constantemente nas áreas indígenas.

De acordo com o Painel Covid-19 do Maranhão, entre os municípios maranhenses que estão com baixa cobertura de vacinação estão aqueles que contam com grande concentração de indígenas, como Amarante do Maranhão e municípios da Regional de Saúde de Barra do Corda como Jenipapo dos Vieiras, Itaipava do Grajaú, Arame, Grajaú e Barra do Corda.

O secretário municipal de Saúde de Amarante do Maranhão, Wesley Garcia, conta que o município já concluiu a aplicação das vacinas enviadas para a administração da 1ª dose na população urbana do município, mas que das 2.922 doses recebidas, 2.671 foram destinadas aos indígenas.

“A desinformação tem levado muitos indígenas a se negarem a tomar a vacina contra a Covid-19. Muitos acreditam que a vacina pode matá-los. Outros afirmam que só tomarão a vacina quando o cacique de sua aldeia tomar a primeira e segunda doses e sobreviver sem sequelas. Por conta desses mitos, o município de Amarante está tendo dificuldade para cumprir suas metas de vacinação, já que a grande maioria de sua população é indígena”, explica o secretário de Saúde em Amarante.

O Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI-MA), vinculado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), divulgou no último dia 16 de fevereiro, os dados referentes à vacinação de indígenas contra à Covid-19 no estado, que conta com um total de 9.036 doses de vacinas aplicadas.

O Boletim de Vacinação apresenta os números referentes à aplicação da primeira dose da vacina e está organizado por polos-base (Amarante, Bom Jesus das Selvas, Krikati, Barra do Corda, Zé Doca, Arame, Grajaú e Santa Inês), Casa de Saúde Indígena (CASAI), nas localidades São Luís, Imperatriz e Teresina, e ainda dados do município de Viana, que se referem aos números da vacinação junto ao povo Akroá Gamela.

Segundo informações do DSEI-MA o grande número de recusas, especialmente nos polos de Barra do Corda (2.318), Amarante (1.008), Arame (866), Grajaú (718) e Santa Inês (356). Os polos com menor número de recusas foram Krikati (67), Bom Jesus das Selvas (25) e Zé Doca (07). Nas diferentes localidades da Casa de Saúde Indígena e em Viana não houve recusa.

No entanto, mesmo onde esses números são menores, o quadro geral é preocupante, tendo em vista a vulnerabilidade dos povos indígenas frente à Covid-19, com alto grau de contágio e um número significativo de óbitos. Reforçamos a importância da campanha “Vacina Parente” articulada pelo movimento indígena como símbolo de resistência e luta dos povos originários e contra o negacionismo nos territórios indígenas.

“Vacina com chip da besta fera”

A desestimulação em relação à vacinação entre os indígenas estaria acontecendo por motivos religiosos. Ou seja, pastores e missionários evangélicos têm sido acusados de convencer os indígenas de que a vacina é perigosa. Paralelamente, há movimentos como os do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei) que têm estimulado os indígenas à vacinação.

O baixo percentual de vacinação no Brasil das populações indígenas (62% ainda não tomaram nenhuma dose) é ainda maior entre os estados da Amazônia (71%). É nesta região do país que mais lideranças relatam a difusão de fake news que alertam os povos indígenas contra o que chamam de “vacina com chip da besta fera”. Os dados foram contabilizados pelo site G1 com base nas informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde na ferramenta LocalizaSUS.

Os estados de Roraima, Paraná, Tocantins e Rio de Janeiro têm a menor taxa de aplicação da primeira dose (veja gráfico abaixo). Todos os nove estados da Amazônia vacinaram menos de 50% da população indígena.

No caso do Maranhão que possui uma população de 19.626 habitantes até o momento a vacinação do índio no estado encontra-se da seguinte forma: 1ª dose 6.962 o que corresponde a 35% e na 2ª dose apenas 823 o que corresponde a 4%.

Entre os indígenas vacinados com a segunda dose está Magno Guajajara, cacique e professor da Aldeia Monalisa BR 226, Terra Indígena Canabrava/Guajajara, município de Jenipapo dos Vieiras, que publicou em seu perfil na rede social Instagram a alegria de estar imunizado contra a Covid-19 e convocou os parentes à conscientização e imunização.

“Hoje (era 14 de fevereiro de 2021) tomei a segunda dose da vacina que nos imuniza contra a Covid-19. Vamos nos conscientizar e tomar a vacina. Estou imunizado! Aldeia Monaliza BR 226. #vacinaparente.” Cabe destacar que de acordo com o Boletim divulgado pela Rede (Co)Vida em agosto de 2020, a TI Canabrava/Guajajara registrou o número de 541 casos confirmados da Covid-19 e 12 óbitos. A instituição está reiterando a importância da campanha #vacinaparente. “Enquanto luta e resistência dos povos originários frente ao contexto pandêmico! Avante!”,

O Maranhão já aplicou em todo 74,5% das 171.417 doses referentes à 1ª dose da imunização contra a Covid-19. Todas as vacinas referentes à primeira dose necessária à imunização completa já foram distribuídas pelo poder público estadual aos municípios.

No total, o Maranhão já recebeu 306.540 doses das vacinas CoronaVac e AstraZeneca, e o Governo do Estado segue entregando as vacinas aos municípios que ainda não receberam a segunda dose da CoronaVac. Os dados da vacinação, gerais e por município, estão disponíveis no Painel Covid-19, no site da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em www.saude.ma.gov.br.

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