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Coronavírus: pandemia altera maior missão científica no Ártico

Suspensão de voos obrigou cem pesquisadores a ficarem no Ártico por mais dois meses aguardando a substituição da equipe

AFP

PARIS — Os integrantes da maior expedição científica da história no Ártico se prepararam para enfrentar os mais duros desafios da natureza, inclusive para ataques de ursos polares. No entanto, acabaram afetados por uma das maiores crises sanitárias do planeta. A pandemia de Covid-19 ameaçou a continuidade da missão. Sem voos por causa da pandemia, pesquisadores foram obrigados a ficar no Ártico por mais tempo do que foi previsto para a substituição da equipe.

Com dois meses de atraso, os cientistas da equipe internacional, responsáveis durante mais de um ano por estudar as consequências da mudança climática no Polo Norte, devem finalmente ser substituídos nos próximos dias.

De retorno do Polo Norte, onde navegou entre os icebergs durante o inverno, o quebra-gelo “Polarstern “, do instituto alemão Alfred-Wegener de Bremerhaven, chegará ao arquipélago norueguês de Svalbard, ainda sem data definida.

Os quase cem pesquisadores devem desembarcar depois de passarem três meses no Polo Norte para dar lugar a outra centena de colegas. A equipe, incluindo o comandante da missão, Markus Rex, será transportada a bordo de barcos de pesquisa de Bremerhaven.

O climatologista e físico Markus Rex, que já ficou de setembro de 2019 a janeiro a bordo do “Polarstern”, havia elaborado com sua equipe mais de dez cenários de casos imprevistos durante os 390 dias da expedição.

— Tivemos que implementar um novo plano muito rapidamente, após o surgimento da pandemia — disse ele por telefone à AFP, direto de Spitzberg, a principal ilha de Svalbard.

A expedição, batizada Mosaic, que partiu em setembro da Noruega, tem por objetivo estudar, ao mesmo tempo, a atmosfera, o oceano, o mar de gelos e o ecossistema. O objetivo é receber dados para avaliar o impacto da mudança climática na região e no mundo

Durante 390 dias, quase 600 especialistas e cientistas trabalham em rodízio no navio, que segue pela deriva polar, a corrente oceânica que vai do leste ao oeste no Oceano Ártico.

No fim de fevereiro, a embarcação estava a 156 quilômetros do polo. Nunca um navio chegou tão ao norte no inverno.

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Inicialmente, a nova equipe, com integrantes de mais de dez países, deveria chegar no início de abril ao “Polarstern”, em uma viagem de avião a partir de Svalbard. Mas o fechamento das fronteiras provocou o cancelamento dos voos.

Finalmente, após vários obstáculos, os líderes da missão decidiram transportar os cientistas, assim como os mantimentos e combustíveis, de barco até Spitzberg. O “Polarstern” interrompeu a missão há algumas semanas para buscar a nova equipe.

— A segunda grande dificuldade que tivemos foi garantir que o vírus não se propagasse entre os membros da expedição— afirmou Markus Rex.

Para assegurar que o contágio não ocorreria, foi imposta uma quarentena de mais de 14 dias foi determinada à nova equipe. Todos ficaram em dois hotéis de Bremerhaven, alugados por completo para a missão.

— As portas (dos quartos) não eram abertas, não houve nenhum contato com pessoas externas. As refeições eram levadas à porta dos quartos — explicou o comandante.

Ainda de acordo com Markus Rex, todos foram submetidos a três testes para detectar o coronavírus. Tudo isso para que a missão, à qual o climatologista se dedica há 11 anos pudesse continuar.

A bordo do “Polarstern”, que já passou 150 dias de noite polar com temperaturas de até 39,5 graus negativos, a equipe acompanhou a distância o confinamento do planeta.

— Muitos têm famílias e tentam se manter o máximo possível em contato com o telefone por satélite — afirmou Torsten Kanzow, que está no quebra-gelo.

Os obstáculos não devem ter um impacto maior para as pesquisas, segundo o comandante da missão. O fim da expedição está mantido para 12 de outubro.

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