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Reintegrado pelo Vaticano: Padre gay ganha recurso contra a própria diocese

Um padre gay demitido do ministério após ter “saído do armário” foi reintegrado pelo Vaticano, que reverteu a demissão depois de um recurso devido à falta de quaisquer acusações ou evidências claras.

A nota é de Robert Shine, publicada em New Ways Ministry, 07-01-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No mês passado, a Congregação para o Clero do Vaticano decidiu que o pe. Pierre Valkering havia sido injustamente demitido do ministério pela Diocese de Haarlem-Amsterdam, na Holanda. O NL Times informou:

“De acordo com a decisão, não estava claro exatamente o que Valkering havia feito de errado, as evidências contra ele eram insuficientes, e ele não foi questionado nem teve a oportunidade de dar a sua versão dos fatos. O decreto da Diocese de Haarlem, portanto, deve ser revogado.”

A demissão ocorreu em julho passado, quatro meses após Valkering ter revelado que era gay durante a missa que celebrava o seu 25º aniversário de ordenação. Ao lançar a sua autobiografia na mesma celebração, o padre reconheceu na época que ele havia quebrado anteriormente o seu voto de castidade. Ele também criticou o “grande elefante rosa”, referindo-se à cultura de silêncio em torno da homossexualidade na Igreja Católica. Mais tarde, Valkering escreveu uma carta expandindo esses temas e a sua decisão, sobre a qual você encontra mais informações aqui [em inglês].

A diocese, chefiada por Dom Jos Punt, nega que Valkering tenha sido demitido do ministério por ser gay e alegou em julho passado que não havia buscado laicizar o padre. O problema, segundo as autoridades da Igreja, foram os lapsos de Valkering no celibato. Mas Punt se recusou a dialogar com Valkering sobre a situação, optando, ao contrário, por demiti-lo e exigir a renúncia do padre.

Não está certo qual será o futuro de Valkering agora que ele ganhou o seu recurso junto ao Vaticano. Segundo algumas fontes, o Vaticano, em conjunto com Punt e a diocese, pediu que Valkering renunciasse, em vez de continuar com outros procedimentos. O NL Times explicou:

“O padre de Amsterdam ainda está avaliando se quer voltar a Vredeskerk [a Igreja da Paz, onde ele era pároco], disse ele. Ele está inclinado a continuar como padre, para que possa continuar lutando contra a cultura do silêncio na Igreja em torno da homossexualidade, de acordo com a NOS [uma rádio da Holanda]. ‘Porque eu ainda acredito em Deus e na Igreja, apesar de tudo. Eu anseio que a Igreja recupere as suas asas, que as pessoas sejam felizes junto dela. Por isso, é importante que tratemos as pessoas gays de um modo mais humano e, principalmente, que não fiquemos calados’.”

Antes de “sair do armário” em 2019, Valkering foi um defensor aberto das questões LGBTQ por vários anos. Em 2016, ele apresentou ao papa Francisco uma tradução em italiano do livro “Adeus, Jovem da Luz”, que o padre compilou a partir das homilias funerárias do Pe. Jan Van Kilsdonk, que ministrou para centenas de gays que morreram de Aids. Nesse mesmo ano, Valkering apelou sem sucesso para representar os católicos no “World Religins Boat” durante a Parada Gay de Amsterdam de 2016 e teve seu pedido negado pelo seu bispo.

Sem as especificidades da decisão do Vaticano, é impossível comentar essa decisão sobre a demissão do ministério. Mas ficou ainda mais clara nessa saga a falta de compaixão demonstrada ao pe. Valkering pelo seu bispo, em cujos cuidados o padre supostamente foi confiado. A recusa de dom Punt de se encontrar com Valkering rompeu o diálogo.

Agora que a demissão foi revertida, em vez de pressionar ainda mais o padre a renunciar, as autoridades da Igreja deveriam se encontrar com Valkering e encontrar um caminho construtivo com o qual todos os envolvidos possam concordar.

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