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Pronunciamento: Presidente Bolsonaro pede que incêndio não seja pretexto de retaliação

No discurso de 4 minutos e 30 segundos recebido com panelaço em alguns bairros de São Paulo, o Presidente evitou citar pelos nomes os líderes europeus, e pediu serenidade, dizendo que “espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema” –na véspera, o francês Emmanuel Macron publicara em rede social uma foto de queimada tirada há pelo menos 15 anos para tratar do problema atual.

Bolsonaro também buscou naturalizar as queimadas, relacionando-as à estiagem.

“Incêndios florestais existem em todo o mundo e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção de sua Floresta Amazônica”, disse.

Dados aferidos por satélite pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pela Nasa e pela organização de pesquisa Imazon indicam tendência de aumento no desmatamento na Amazônia desde 2012, com ganho de velocidade neste ano.

Os focos de queimada também são mais numerosos. Não há ainda dados consolidados disponíveis sobre este ano, contudo, que permitam dizer se houve salto abrupto ou aceleração sob Bolsonaro.

A crise ganhou proporção internacional após Macron classificar os incêndios criminosos como crise global, prometer debater o assunto no G7 –que integra com EUA, Canadá, Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão– e ameaçar barrar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

“Diversos países desenvolvidos não conseguiram avançar com seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris [sobre o Clima]. Seguimos, como sempre, abertos ao diálogo, com base no respeito, na verdade e cientes da nossa soberania”, disse Bolsonaro.

Ele ressaltou que países desenvolvidos ofereceram ajuda para conter as queimadas e se prontificaram a “levar a posição brasileira junto ao G7” –alusão aos Estados Unidos.

“É preciso ter serenidade ao tratar dessa matéria. Espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema. E se prestam apenas a uso político e a desinformação”, disse.

A cadeia nacional faz parte de uma série de movimentos coordenados desde a noite de quinta-feira (22) para responder à pressão de líderes europeus e da opinião pública ante as queimadas na Amazônia, em uma corrida para conter danos à imagem do país.

Mais cedo, o presidente assinara um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) em que autoriza o emprego das Forças Armadas na Amazônia para combater as queimadas.

De acordo com o documento, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, militares poderão atuar em “áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal”.

A GLO valerá deste sábado (24) até 24 de setembro.

O pedido foi protocolado pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), mas deve ser endossado por outros governantes da região. Na terça (27), os nove governadores da Amazônia Legal vão se reunir com o presidente.

A Presidência também montou uma força-tarefa com cinco ministérios –Defesa, Relações Exteriores, Meio Ambiente, Secretaria-Geral da Presidência e Casa Civil–, estimulou a denúncia de queimadas criminosas e avalia, com o Ministério da Economia, como liberar recursos para o combate ao fogo. (Gustavo Uribe / FolhaPressSNG)

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